domingo, 12 de julho de 2009

Sabedoria

Com efeito, a maldade é medrosa e se condena por seu próprio testemunho. Pressionada pela consciência, imagina sempre o pior. Porque o medo é apenas a falta de socorro que vem da reflexão: quanto menos reflexão interior tivermos, mais alarmante parecerá ser a causa oculta do tormento.
Sab. 17, 10-12

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Livro "Anatomia da noite" fala sobre solidão gay

Quantos de nós, homossexuais, com idade por volta de 25 e 35, já fizemos o seguinte questionamento: Será que algum dia vou conseguir alguém legal para ser o meu parceiro? Pois é, a pergunta é o cerne do romance "Anatomia da noite", de Márcio El-Jaick.

O ponto de partida da história se dá no apartamento de Henrique, que aguarda a chegada dos seus amigos Túlio e Rui para saírem rumo ao matadouro ou, como coloca o personagem de Henrique, "para o festival de carne", em uma reflexão a respeito da noite gay. A partir daqui temos uma ótima alegoria a respeito da vida gay a partir dos três personagens.

Tulio é o gay com o corpo trabalhado e que vive uma relação com um homem casado; Rui é a bicha fervida que adora ficar xoxando as pessoas e dando notas a respeito da beleza dos bofes.; já Henrique é aquele que vive a desilusão de duas relações amorosas que não deram certo e que questiona as suas idas e vindas aos clubes noturnos GLS. Para ele é tudo tão igual, as pessoas são as mesmas, só querem saber de sexo e ninguém está a fim de um relacionamento mais profundo. No caso, que vá além da cama.

Os três personagens podem ser uma pessoa e todas ao mesmo tempo. Rui, Henrique e Tulio sabem que dificilmente irão encontrar uma pessoa para se relacionarem além do sexo em uma boate - uma cilada comum da vida gay. Fora as boates e os bares, em sua maioria noturnos, quais outros espaços a comunidade homossexual tem para se relacionar? Esse é o grande conflito de Henrique, mas também pode ser encarado como o grande drama da comunidade gay. A diferença é que Henrique encara esse conflito de frente, enquanto seus amigos preferem não pensar a respeito, escolhem ficar no meio da pista rodando ao som de house e transitando de corpo em corpo.

Como diz o primeiro parágrafo do livro, as bichas de 25 e 35 anos podem ter duas reações. Uma é que se trata de um dilema datado e que para alguns não tem solução mesmo. A segunda reação pode ser o convite para mais uma vez refletirmos sobre o mundo gay do qual fazemos parte. Dentro do raciocínio do autor Márcio El-Jaick, a grande maioria dos gays procura um parceiro fixo, com quem possa compartilhar dos bons e maus momentos. Os seus personagens nadam na contramão desse raciocínio. Vivem dos parceiros sem nomes, do sexo anônimo na sauna, da ilusão de uma relação com um homem casado que se sabe de antemão que não irá para frente. Fadados à solidão?

Porém, do outro lado, o livro "Anatomia da noite" pode ser um ótimo receituário da geração atual, de 17 a 23 anos. Como na forma de um aviso: Ei bichas, ou vocês procuram rever um pouco os seus valores ou o hedonismo solitário será o destino de suas vidas. Amargo? Não, diria que o livro é realista e faz uma crítica muito sutil, sem ser chato ou politicamente correto, a respeito dos valores da comunidade gay. Alta valorização do corpo e individualismo exacerbado. Uma passagem do livro que dá luz a esses dilemas é quando o personagem Henrique passa a mão pelo seu rosto e sente as rugas e os vincos. Lembra-se que está com 35 anos, que está sozinho e, pior que isso, no mesmo lugar onde estava aos 25 anos. Onde? Na pista da boate à procura de companhia.

Serviço:
"Anatomia da noite"
Autor: Márcio El-Jaick
Editora Summus/ Edições GLS
Preço: R$ 32,20
Fonte: http://acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=8655&Livro+%22Anatomia+da+noite%22+fala+sobre+solid%E3o+gay+

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Papo na cozinha

Há alguns dias escrevi um artigo sobre as comemorações do Dia da Imprensa e Dia da Liberdade de Imprensa. Na ocasião, usei a expressão "órfã" para caracterizar os Meios de Comunicação Social, tendo em vista que recentemente o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a Lei de Imprensa. O tom do texto, naquela ocasião, era, de certa forma, otimista, já que expurgar tal legislação era como se livrar de resquícios da Ditadura. Hoje, porém, a decisão do STF em relação à obrigatoriedade do diploma de jornalismo, passo a notar que os problemas vividos pela sociedade em relação aos seus meios de expressão são bem mais graves.

Com a decisão do STF, o Brasil está órfão não só de legislação, como de qualquer mecanismo que garanta a qualidade, credibilidade e ética no trabalho de profissionais que, diariamente, são responsáveis por relatar o que ocorre no mundo e permitir que milhões de brasileiros tenham a liberdade de formar opinião sobre o que é fato. Em minha análise, que pouco importa aos magistrados, há um equívoco no entendimento do que significa a "liberdade de expressão" garantida em nossa Constituição. Afinal, desde quando o jornalista tem liberdade para manifestar seu pensamento. Bem sabemos que sua atuação é pautada por um conjunto de critérios que impedem, de alguma forma, que a opinião do profissional prevaleça diante das afirmações da fonte da notícia. O jornalista não expressa, nem opina. Por outro lado, ele faz a mediação que garante, na prática, a expressão da sociedade por meio da mídia.

Nesse episódio, porém, lamento menos a decisão que os discursos que a embasaram. Se o argumento constitucional é tendencioso e usado para referender interesses particulares, algumas afirmações dos ministros que julgaram a ação são inadimissíveis. As palavras de Gilmar Mendes, ao comparar a atividade jornalística à prática da culinária e do corte e custura tem um tom jocoso que mostra descaso e a falta de seriedade na condução deste julgamento.

Como se pode notar, o que está em jogo não é a exigência do diploma, mas a fragilização da profissão de jornalista. O fato de o recurso que estava sendo julgado ter sido apresentado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) revela, inclusive, a quem interessa, de fato, o fim da obrigatoriedade do diploma. Apesar de afirmarem que continuarão a formação superior no momento das contratações, os donos da mídia irão, sem dúvida, utilizar a decisão do Supremo para minar as negociações salariais com os já fracos Sindicatos e para atuar sem nenhum critério ético e profissional na contratação de seus funcionários.

Como bem lembra o jornalista Leandro Fortes em seu blog, a decisão do STF é deficiente porque leva em consideração somente a grande Imprensa e fecha os olhos para o que ocorre na realidade nas pequenas redações espalhadas por várias capitais brasileiras e interior.

Enfim, tanto a decisão sobre a obrigatoriedade como a que envolve a revogação da lei de Imprensa refletem, na verdade, a ineficiência do Poder Legislativo, que até hoje não promoveu um debate sério sobre o assunto. Esta nova decisão do STF só ocorre porque o Congresso Nacional não funciona, está em crise e envolvo em escândalos.

É possível também que a condução do assunto pelo Supremo só tenha ocorrido dessa forma diante da apatia dos próprios jornalistas em relação à causa. Fosse esta uma classe mais crítica, combativa e bem representada, não teríamos tal desfecho. Recordo, inclusive, que o projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) foi arquivado diante da pressão do empresariado. Tivéssemos hoje um órgão de classe não teríamos sido obrigados a ouvir as bobagens de Mendes.

Aliás, insisto na tese de que o problema não é a exigência ou não de diploma. Condordo que há muitos profissionais mal formados e outros que não dependem dessa formação para exercerem a profissão. Porém, deve haver regulação. Senão, onde serão tratadas as questões éticas que envolvem o exercício do jornalismo?

Infelizmente, na visão do Supremo, essa prática profissional não interfere na vida das pessoas, assim como a medicina, engenharia e direito. Com isso, os ministros tapam o sol com a peneira e esquecem episódios como o da Escola Base, no qual publicação precipitada de uma informação afetou substancialmente a vida de um grupo de pessoas e seus negócios. A partir de agora, onde discutiremos casos como este?

Nesse cenário, faz sentido o apelo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que conclama o poder legislativo para "restabelecer aquilo que o Supremo está sonegando à sociedade, que é um jornalismo feito com competência técnica, alto sentido cultural e ético". Até que façamos uma reflexão ampla sobre as questões que envolvem às comunicações no Brasil, e que vão muito além da exigência de diplomas, estaremos órfãos de pai e mãe. E não dá para manter o papo na cozinha.

"Jornalismo para não-jornalistas!"

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Apagão analógico nos EUA

Começa o reinado exclusivo da TV digital nos EUA

Fonte: - EFE (12/06/2009)

As emissoras de TV dos Estados Unidos começarão na madrugada desta sexta-feira para sábado a transmitir exclusivamente em sinais digitais, em um "blecaute analógico" que deixará fora do ar milhões de aparelhos em todo o país.

A partir da meia-noite (local) de sábado, esses canais transmitirão apenas o sinal digital, após anos de campanhas destinadas a preparar a população para a mudança.

Nesse momento, deixarão de funcionar todos os aparelhos com uma antena de teto ou daquelas fixadas na própria TV, a menos que seus proprietários tenham comprado um conversor digital, um televisor já adaptado à nova tecnologia ou sejam assinantes de um serviço por cabo ou satélite.

Segundo fontes da indústria, a partir desse momento os que possuírem o sistema digital poderão aproveitar uma melhor imagem e uma maior oferta de canais.

Os conversores digitais custam entre US$ 50 e US$ 80 nos Estados Unidos atualmente.

No entanto, segundo o jornal "The Washington Post", a mudança deixará sem imagens cerca de três milhões de lares que dependem de um aparelho televisor analógico e que não realizaram a mudança.

Em sua página digital, o jornal indicou que se trata principalmente de lares rurais, de baixos recursos ou onde vivem pessoas com pouco conhecimento de inglês.

O "Washington Post" acrescentou que um programa federal que deveria subsidiar a compra dos conversores ficou sem dinheiro e não soube informar devidamente sobre a necessidade de contar com equipamentos adicionais para receber a televisão digital.

"Os problemas para essa gente serão muito maiores do que tinha sido previsto", disse ao jornal John Carey, professor de comunicações da Universidade Fordham. EFE


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1191915-5602,00-COMECA+O+REINADO+EXCLUSIVO+DA+TV+DIGITAL+NOS+EUA.html